Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Encontrei no Cosmos a Irmã que imaginei...



Andava a brincar
Num pequeno jardim
Cheio de flores e cheiros
Corria por aí
Ondulava o corpo ao vento
Sentou-se
Cansou-se de correr
Espreitou dentro de si
Havia uma tristeza itinerante
Caíram no chão umas lágrimas
Acabaram por ser muitas
Cada vez mais
Suspirou
Aliviou o peito
Deitou-se no chão molhado pelas lágrimas que deitava
Acabou por ficar a sonhar
De olhos bem abertos
Como se conseguisse estar dentro e fora
Uma sintonia arranjada pela força da circunstancia
Queria tanto ter mais alguém para brincar
Um irmão
Uma irmã
Desde que aprendeu a escrever
Dedicava muito tempo a escrever para a sua irmã gémea
Nem sabe porquê gémea
Era uma irmã
Chamava-lhe assim para parecerem duas
Animava-se
Falava com ela
Vi-a em todo o lado
Como uma perfeita obsessão
Talvez fosse a forma de nunca se sentir sozinha
Os anos correram
A brincadeira que nunca foi infantil acabou
Cresceu
Viajou dentro do mesmo âmbito
O si só
Chamou por ela
Gritou por ela
A irmã nunca a escolheu
Nunca a conheceu
Porque nunca percebeu
Que ela não era daqui
Vivia numa outra dimensão
A probabilidade de a rever
Era grande...
Só quando decidisse relaxar
A encontraria
Para seu espanto
Num dia incrível
Como têm sido os seus dias
O próprio universo levou até si
Um pedaço do que faltava encontrar
Um tesouro universal
Um tesouro bem guardado
Quando chegasse o momento ele se abriria
Encontrou a sua irmã de outro tempo
Abriu o tesouro com uma chave cósmica
Vinda lá de cima
Fechou os olhos e descansou
Valeu a pena ter sofrido a pressão do ego
E ter permanecido ali
No lar onde a energia flui
Guiada pela mão Dele
Naquele momento foi como se descascasse um pedaço de si
A solidão
O medo
Podem permanecer
Mas valeu a pena
Ter crescido
Ter aprendido
Que não é o querer
Que nos harmoniza e completa
Quando o universo quer
O universo dá...
Tem que se estar preparada para receber
Toda a informação que no céu está guardada...
Agora posso ficar descansada
Porque não foi em vão que te procurei...

03/02/2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Caminhar por aí...

Às vezes vagueio por aí
Ando ao relento
Sem me preocupar
Ando por andar
Relembro os passos que dava em criança
Pés pequenos
Que marcavam profundamente
Pegadas fundas
Provocadas por uma raiva herdada
Muitas vezes controlada
Por regras severas da educação
Construía caminhos torcidos
Linhas tracejadas e cruzadas
Dependendo do que se anunciava dentro de mim
Dos holofotes que me iluminavam fora
Outras vezes deixava-me cair
Ficava presa a um canto
Horas sem fim
Suplicando ajuda
Surgia uma espécie de calma
Que me acariciava
Me estendia a mão
Abrindo-me sempre uma porta para a vida...
Acordava estendida
Rejuvenescida
Sem saber se agradecer
Ou lamentar
Hoje essa mão
Essa calma é-me muito assídua
Antes vivia no anonimato
Hoje está sempre presente em mim
Embora por medo ou cobardia a rejeite
Não há dia nenhum
Que ela não me espreite
E me diga: - Sabes estou aqui.
Os seus dedos são brilhantes como cristais
Que não se espelham em diamantes caros
Porque o seu brilho é simples
Imortal
Permanece nos sinais ancestrais do universo
Devia estar a dar passadas de contentamento
E não estou
Porque parece-me sempre que não mereço
Um mecanismo egóico instala-se
Auto-acciona-se e deixa-me assim...
Tirei os sapatos
Tirei os medos
Refugiei-me nos segredos
Da mais pura ilusão
Hoje as linhas dos meus caminhos
São paralelas e prolongadas
Com traços bem rasgados...
Vou caminhar muito devagar
Procurar um pouco de luz
Para aquecer o coração
Ficar sentada numa paisagem perfeita
Surgida no auge da meditação
Agradeço e vou adormecer eternamente...

25/01/2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Talvez um poema...


Senti-me tão feliz
Como se a felicidade se apoderasse de mim
Pela primeira vez
Orgulhei-me de existir
De prescindir de tudo o que conheço
Lancei-me nos braços da luz
Agarrei-a com tanta força
Como que temendo perdê-la
Percebi que sentir felicidade
É sentir o céu em nós
Vi um brilho que se expandiu
E se apoderou de mim
Como me senti flutuar!
Ou melhor voar
Deitei-me levemente
Veio um tapete voador buscar-me
Mostrar o quanto é mágico voar
O quanto é mágico aceitar
O que não se concebe com a mente
A mente mente-nos tantas vezes
Ou quase sempre
Entrei mar a dentro
Banhei-me em pensamento
Rebolei-me na areia celestial
Como é bom sentir o areal!
Juntamente com a espuma que nos lava
E nos envolve
Continuo a sentir o quanto ser feliz vai fazer parte de mim
Pode tudo acabar
Vou continuar a olhar
Para dentro de mim
Porque esse tudo é nada
É a não existência
Porque afinal dou graças ao céu
Por me conceber nestas experiências
Onde o azul se projecta na luz
E me conduz ao Universo...
Se escrevesse poesia
De certo a alegria de existir
Seria o meu primeiro verso.

15/12/2012