terça-feira, 9 de agosto de 2011

Luz ofuscante (Ao Zé Jorge)

Não há cansaço que canse...
Trepam-se paredes
Rebentam-se muros
Iluminam-se caminhos
Constroíem-se escadas
...De repente...
Muito de repente
A luz ofusca
A luz vibra com uma força
Que só imaginando palas de protecção
Se consegue acalmar a euforia
de subir
Caminhos
Sejam de cores
Sejam imaginados
São...
Agora vou abrir os olhos...
Cuidado...
Porque os pelicanos precisam voar...
Os humanos precisam tomar decisões...
Todos se libertam...
A luz não pode parar...
nunca vai parar...
Porque estamos aqui...
A quebrar grades...
Que nunca se viram
Mas estão aqui...
Estavam aqui ou lá...
Apenas estavam...
Voaram
Espalharam-se como penas leves...
Que a própria leveza levou.
08/08/2011


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Paz

A paz
Nasce em nós
Vive em nós
Procura-se
Desiste-se
Mas voltamos lá...
Porque somos livres na busca
Quando tudo nos inunda de obstáculos
Quando o caminho se cruza e inicia num mundo distante
Estamos sentadas
Esperando a magia da loucura
que tanto nos perde como acha
Aqui
Ali


Mora a paz
No fado mais bem cantado
Aquele que na realidade nunca ouvi...
08/08/2011

Voa-se e ...

Às vezes voa-se
Outras arrasta-se
Outras está-se
Onde não interessa...
Vive-se
Renova-se
Surge a imensidão
Que importa de onde?
Sonha-se porque se ressurge
A lembrança
A esperança
De se Ser...
Abro os braços
Choro
Rio
Vou
Sou o que Sou
Se virem por aí um bocado de mim
Foi porque o vento o levou...
A quem mo entregar
Fica a lembrança que me reintegrou...
Às vezes voa-se e caiu-se...
Que bom!
Aprende-se a ser...
08/08/2011


sábado, 6 de agosto de 2011

Às vezes... A Saudade...

Às vezes...
Sente-se em nós a lembrança inexplicável
De uma saudade sem vontade
Que nos trás a lembrança do passado...
Remando num rio tão estreito
Onde se bloqueia a margem
Mais infeliz do peito
Resmunga-se
Sofre-se
Com a razão de se ser
De viver e reviver
O que nunca se devia ter esquecido... Um pouco do incompreendido.
Achei e perdi
Uma parte do significado
De estar aqui...
Louvo ou escondo-o... A quem?
Ao passado...
Que faço à dor...
Trago-a...
Revivo-a e deixo-a ir...
Volátil sobe e esvai-se em pleno Universo...
Às vezes volta a lembrança...
Como uma dança...
que se perde...
Pela antiguidade...
Que importa a vontade...
Se sinto tanta Saudade.
04/08/2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Aceitação...

Que ridículo

Não viver na aceitação

Temer a evidência do melhor para nós

Fugir sempre

Sem saber para onde

Fugir por fugir

Ir...

Entrar num fundo de ilusão

Criar personagens

Que se atraiem

Se repulsam

Que contracenam porque tem de ser

Independentemente das afinidades

Das sincronicidades ajustadas no momento

Aquele momento criado pela mente humana

Inspirada por uma força superior

Que se deixou ir...

Chegou aqui

Estacionou a razão

Entregou-se ao momento

Uma luz iluminou um cantinho de si

Um pedaço do seu sentimento

Não do outro

Mas seu

O foco começa a expandir

Expandir

Sente uma explosão

Assiste-se ao palco mais sereno

Mais sincero

Um coração desprende-se

Ilumina-se

Chora

Começa a chorar

A chorar

Inunda o palco

Do momento fogo

Nasce um momento água

Cada vez mais água e arrasto-me na terra

Onde me insurgi

Repentinamente do anonimato

Do nada...

03/08/2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Rio flui ... em ti

Ouve-se um correr
Não é rio
Não são crianças
Não são lembranças do vazio
Ouve-se chiar
Não são pássaros
Não são baloiços
Não são brinquedos
Não são vivências com medos
Será que se ouve?
Se algum dia parar a mente
Se algum dia me sentir
diferente
Vou por aí em busca...
Buscando o que perdi
O que me trouxe até aqui
Onde flutuam nenúfares
Onde se ondulam algas
Onde se mergulha na própria solidão
Um dia
Sempre um dia
Vou acordar de uma noite
Sem frio
Sem rio
Sem luar
Vou permanecer ali
Na alegria de ouvir correr
Seja o que for
Corre
Cria movimento
Mesmo levada pelo vento vou
Tenho que ir
Não posso mais fugir
Deste bloqueio
Que construí...
Aqui.
02/08/2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Estórias (Inicio)


Saí um Fim-de-semana, em busca de novos conhecimentos ancestrais e experiências. Como sempre tenho um grande interesse pelos monumentos românicos e góticos. Acabei por ficar no românico. Gosto de sentir a pedra, olhar o trabalho com o coração, encostar-me aos sinais que o tempo deixou permanecer.

As minhas histórias não são aquelas que estão nos livros escolares, as minhas histórias são histórias vividas com a permanência da sabedoria de autores menos conhecidos, ou menos falados. Ainda bem antes que destruam o pouco que resta energeticamente!

Vi autênticos atentados aos templos, mas mesmo assim nota-se a energia telúrica que o tempo não esqueceu.

Pedras trocadas, altares desviados, caminhos cortados, pedras roubadas, um misto de falta de sensibilidade e cultura.

Voluntários com chaves enormes e enferrujadas pelo tempo… voluntários que nos contam algumas marcas, mas não aprofundam, porque nunca precisaram.